segunda-feira, 10 de maio de 2010

Leitura corrente

Quatro ou cinco dias é o tempo que os leitores, amantes de literatura ou não, gastam em média na leitura de Os Homens que não amavam as mulheres, primeiro volume da trilogia Millennium (a saber, os outros dois são: A menina que brincava com fogo e A Rainha do castelo de ar). Não fossem as obrigações rotineiras, certamente, as 522 páginas poderiam ser devoradas em tempo recorde. Em um primeiro momento, o título passa despercebido em meio a best sellers fajutos, podendo ser confundido até mesmo com um livro de autoajuda (o que definitivamente não é o caso). O fato é que o autor do romance policial, Stieg Larsson, chama a atenção pela forma como desenvolve a história, cria suspense na medida certa e, em nenhum momento, perde o fio da meada. Se por um lado a narrativa descritiva que apresenta os personagens (carismáticos e sem clichês) e a trama nas primeiras duzentas páginas entretem pelo prazer do leitor em imaginar cada indivíduo e cena, é no meio do livro pra lá que a história ganha elemetos de tirar o fôlego. O que se pode dizer dessa história é que há um crime (ou uma série deles), como se espera de todo romance policial, que deverá ser desvendado. Para os leitores mais atentos, no entanto, há uma frustação: a dupla de protagonistas, ao contrário do que se espera, não leva até as últimas consequências as descobertas feitas durante a investigação. Uma pena, seria bom ver o circo pegar fogo. Um fato curioso é que o autor entregou a trilogia pronta de uma só vez e morreu um pouco depois disso. Não esperou pra ver o sucesso e receber a fortuna que, merecidamente, lhe é de direito.

No cinema- Os Homens que não amavam as mulheres ganhou uma versão para o cinema que deve chegar ao Brasil, finalmente, agora em Maio, já que teve sua estréia desmarcada por duas vezes. É sempre um desafio passar para as telas uma estória, ainda mais essa, tão bem escrita, porque gera grande expectativa nos fãs. Pelo trailler, pelo que parece, o ritmo e a atmosfera da narrativa foram mantidos. É esperar pra ver.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sabino

"Escrevo porque não tenho os olhos verdes". Foi Lúcio Cardoso quem certa vez deu esta resposta numa entrevista. N ão é o meu caso, evidentemente- se bem que eu também não tenha.
Assim começa o meu livro favorito "O TABULEIRO DE DAMAS", do Fernando Sabino. Presente da minha mãe na primeira vez que ela veio me visitar depois de eu me mudar pra BH. Desde então,tem sido meu livro de cabeceira e que eu já sei quase de cor. O Fernando Sabino viveu aqui em Belo Horizonte histórias divertidíssimas ao lado dos amigos inseparáveis: Otto Lara Resende, helio Pellegrino e Paulo Mendes Campos ( se vc não sabem que são, pelo amos de Deus, vá procurar saber...) Daí que vem o "NÃO ANALISA, NÃO!", que eu tb incorporei aos meus discursos... Funciona assim: é uma espécie de palavra de ordem... sempre que um desses amigos propusesse alguma coisa, por mais absurda que fosse, tinha que ser aceita, sem argumentação, e isso era levado a sério entre eles: quem analisasse a questão seria considerado "burguês, reacionério, quadrado, escravo de preconceitos". E assim, num dos episódios narrados no livro, Sabino e Paulo mendes campos passaram a noite toda estudando Anatomia com o Hélio, que na época fazia Medicina e mais tarde tornou- se famoso psicanalista.
Estou contando essa estória pra falar da amizade e da beleza que existe nos pequenos gestos, nada melhor que uma amizade que durou mais de meio século pra exemplificar isso.... O livro fala de outras coisas que depois vou contar. Quem tiver oportunidade leia. É um livro leve, fino e divertido. Narração inteligente e gostosa, presença marcante nas obras de Sabino.

Sentimento do mundo

O pior sentimento do mundo é a impotência: ver tudo sendo destruído e não poder fazer nada pra ajudar. Essa história do Haiti.

O melhor sentimento do mundo é a esperança.

Há menos de duas semanas uma grande amiga foi assaltada na esquina da minha casa, às sete da manhã, indo trabalhar. O cara, segundo ela, tinha uns 20 anos, cara limpa, apontou uma arma e atirou pro chão. O pior, é que a mãe dela tava do lado, "o medo é a única coisa que senti naquela hora!". ..Aí eu fiquei meio assustada, comecei a andar sem celular, sem fones, de havaianas (mentira, pq de havaianas eu sempre andei..), enfim, pq o perigo tava muito próximo de mim. No sábado seguinte, a minha irmã foi assaltada em frente a casa dela, que é numa rua supermovimentada, às 8 da manhã, indo estudar.. quando ela me ligou contando, tentei acalmá- la, "é normal, fica tranquila!", falei secamente no tom de quem mora já a um ano e meio na cidade grande, e tá acostumada com essas coisas. Mas por dentro, ah!, meu coração doeu muito, imaginei a cena, sofri como se tivesse sido comigo... Aí vi outro dia no jornal que o guitarrista no Detonautas, morreu tentando fugir de um assalto, tava com a vozinha de 87 anos e o irmão no carro.. uma série de notícias tristes, que acontecem todo dia...
Fiquei pensando no que pode acontecer comigo, com as pessoas que eu amo, com as pessoas conhecidas e desconhecidas... Eu e vc, bom, a gente não pode fazer nada! Tem que tomar cuidado quando sair na rua, e rezar, rezar muito pra Deus nos abençoar e proteger. O que será que a vó do Rodrigo, o guitarrista, tá pensando numa hora dessas?! com certeza, quando ela era jovem uma situação dessa seria impensável!
Sinto medo, tristeza, insegurança, angústia, impotência. Lembrei do Carlos Drummond de Andrade: "Tenho duas mãos e o sentimento do mundo!"

Achado

Esse texto eu achei no blog antigo. Foi escrito pela Larissa lindeza.

"Andando sem direção... pode parecer estranho mas vagar de vez em quando tem seu limite de razão. Você pode se sentir constrangido, ter o rosto queimando de vermelhidão, e se tivesse assistido a uma aula de biologia descobriria que as maçãs do rosto ficam vermelhas devido a vazodilatação. Há quem os use bastante. Não por falta de opção, é porque ocorre mesmo. E normalmente o seu rosto vai te condenar. Vc vai se sentir patética. Vai bater a mão, normalmente a direita, no rosto na direção dos olhos, e sorrir, paralisada. O musculo do miocárdio se esforça para bater, quase em compasso com a respiração,naquele vai e vem do toráx, quase da mesma forma de quando vc se assusta e tenta sair do lugar e as suas pernas te enganam. Ficam tão inertes que nem se tentasse saberia por que a razão. E não tem palavra que saia direito. E não tem movimento que não tenta ser controlado. Mas vc está sem lugar. Vc está sem chão. Vc está inutilmente se achando perdida e a mais tola de todas. Pensa no quintal, nos cachorros brincando, tenta desviar o olhar como se olhasse para a geladeira: abre a porta, pára com o indicador na boca, se abaixa e pega uma pêra, e tenta fechar a porta. Mas dessa vez vc está com a pêra e uma garrafa de água mineral com gás nas mãos e decidide fecha-la com o pé, um empurrãozinho de nada. Aquele empurrão q vc gostaria de dar na pessoa... Porque nesse exato momento suas mãos estão suando e seu rosto ainda te condena. Negação...Negação... Passa isso logo, anda! O merdinha... Onde é mesmo que fica aquele país? Mas não quero falar sobre isso... E de novo o sentimento de quando se está perdida. E ah! Tem também aquele do frio na barriga... E o rosto começa a se acalmar... "

Meus medos

Na infância, segundo minha mãe, eu tinha medo de lesmas e de cortar as unhas. "Minhas forças estão nas unhas, Mãe, quando corta eu fico fraca", esperneava, igual a estória de Sansão. A minha mãe dizia "Se não cortar, vai ficar igual a João Feupudo", que era um homem horroroso, sujão, de unhas grandes, fedorento, que andava todo esquisito, fazendo "Huuuuu....". Nunca tomava banho e tinha o cabelo todo sarará... pelo menos era assim na minha imaginação. Eu tinha era medo de ficar igual a João Feupudo! Acabava cortando as unhas...
Lembro de outros medos, mais bobos até que esses, se isso seria possível. Uma vez eu estava distribuindo aqueles panfletos, sabe, de missa quando de repente os folhetos (esse é o nome certo) caíram no chão e todo mundo olhou pra mim. Minha reação?! Saí correndo pra perto da minha mãe e comecei a chorar. Chorei, chorei. Dizem que eu era muito chorona. E pirracenta. Meu maior medo desde então foi deixar os folhetos caírem de novo!
Mas aí eu cresci e os meus medos mudaram. Eu não tenho mais medo de lesmas e até gosto de fazer as unhas, embora tenha pavor de distribuir papéis, de qualquer tipo. Hoje tenho mesmo é medo de não ser jornalista, de não ter emprego. Medo de passar vergonha, ser assaltada. Medo de telefone que toca de madrugada. Da luz acabar. Medo da água acabar. Morro de medo de não casar, de não ter filhos. Medo de entrevistas de emprego. Medo do meu pai ou da minha mãe morrerem. Pavor a morrer queimada ou congelada. Medo de ficar sozinha, longe das pessoas que eu amo. Medo de esquecer das coisas realmente importantes, medo de não encontra meu grande amor, nestte mundo tão grande!

Vantagens de se ter cabelo curto:

1) Não ter cabelo comprido
2) Não precisar prender
3) Nem pentear (no meu caso)
5) Sentir o famoso vento na nuca
6) Variar o estilo, de sexy à moleca, em 5 minutos
7) Não ter pontas duplas
8) A possibilidade de deixá-lo sempre hidratado e limpo, mesmo com toda a correria (o que tb não é o meu caso, digo, correr)